Curso Esotérico de MAGIA das RUNAS - DIGITAL SIMPLIFICADO

Curso de Esotérico de Magia das Runas 73 incidente algum, com simples piedade, atravessei as ruas da cidade, capital do México, banhada à meia-noite por cristais inefáveis, livres de toda névoa. Quem, gritando meu nome, percorre a morada? Quem me chama de noite com tão deliciosa entonação? É um sopro de vento que soluça na torre, é um doce pensamento. E subi a velha torre da Catedral Metropolitana, cantando o meu poema com a voz do silêncio. Perderam-se as neblinas nos picos das montanhas. De terras que sofreram tremendas convulsões, de crateras, vômitos e lavas, surgiram como que por encanto, para deleite dos olhos, Iztacihuatl e Popocatepetl, os dois legendários vulcões que, como guardiães milenares, protegem o vale do México. E mais além das montanhas longínquas, vi mundos e regiões inefáveis, impossíveis de se descrever com palavras. “Olha o que te aguarda!”, disse-me uma voz generosa que dava música ao vento. Canção que ninguém escutava e que vai soando e ressoando por onde quer que eu vá e em cujas notas parece que sinto a minha voz. E, ao descer da torre, alguém me seguia; era um chela ou discípulo. Grande foi a minha alegria, sentia-me inebriado por uma deliciosa voluptuosidade espiritual; meu corpo não pesava nada, movia-me na forma astral, há tempo havia abandonado o meu veículo físico. No átrio da velha catedral, ao pé dos muros antigos que foram mudas testemunhas de tantas brigas, galanteios e desafios durante vários séculos, vi um variado e pitoresco grupo de homens e mulheres, crianças e anciãos, que vendiam suas mercadorias por toda parte. E sentado como um yogue oriental, junto ao muro e debaixo da torre antiga, na quina da velha catedral, um ancião asteca de idade indecifrável meditava.

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