Revista Maitreya 049

10 Divinus se chamava a Pitonisa de Delfos – so- bre o amor. Diz Sócrates que “ o amor é belo, inefável, sutil ”. A Pitonisa lhe responde que ele não é propriamente belo. Assombrado, Só- crates lhe diz, respondendo: “ Acaso não é be- lo? Então é feio? ” A Pitonisa lhe diz: “ Não po- des ver senão o feio, como se não existisse mais do que feio? Não podes conceber que en- tre o belo e o feio há algo diferente, algo dis- tinto? O amor não é belo nem feio; é diferente, e isso é tudo ”.... Como era um sábio, Sócrates teve que guardar silêncio. Claro, como estou pensando aqui com vocês, em voz alta, convido-os à reflexão. Como vo- cês têm visto o amor? Como o têm visto? Não como lhes disseram que ele é, mas como vo- cês o percebem: belo ou feio? Algum de vo- cês pode me responder? Quem gostaria de res- ponder? Discípula: Mestre, quando se está enamorado, é belo, e, se alguém recebe amor do ser que ama, é, pois, duplamente belo. Mestre: Veremos... Discípulo: Sempre se tem relacionado a bele- za com o amor e o feio com a antítese do amor. São dois aspectos psicológicos que nos- sas vovozinhas, quando nos falavam das fa- das, pintavam-nas como boas, belas, e quando nos falavam dos ogros, por serem maus, pinta- vam-nos como feios. Então, creio que o amor está mais além desses princípios. Mestre: Foram dadas duas respostas. Mas de- ve-se fazer uma diferença entre o que belo e o que é o amor. De modo que não está muito completa a questão. Ver se outro dá uma res- posta. E tu... Discípulo: Pressinto que o amor está mais além desse par de opostos, transcende o belo e o feio, está mais além. Mestre: A resposta está muito interessante. Va- mos, dize-me, irmão... Discípulo: O amor é inefável, porque não é uma questão intelectiva; é uma questão que poderíamos chamar “sublime”. Mestre: Essa resposta é mais transcendental. Discípula: Mestre, eu considero que o amor é indefinível, quando alguém o sente, não pode expressá-lo com palavras. Discípula: Mestre, eu diria que para nós é muito difícil dizer se o amor é belo ou feio, porque nós não o conhecemos. Bom, veremos a última das respostas. Discípulo: Penso que como captamos tudo desde o ponto de vista de nossa personalidade humana, tudo é relativo, somos vítimas das circunstâncias e não nos aprofundamos, então, o amor foge ao entendimento. Isso pertence realmente ao Ser e não à personalidade huma- na. Mestre: Nós te escutamos. Quem mais vai di- zer alguma coisa? Discípulo: O amor é do Ser; a única razão do amor é ele mesmo. Mestre: Está bem.... Na realidade, aquela Pito- nisa de Delfos, que falou a Sócrates, ensinou praticamente uma verdade: o amor está ainda mais além do belo e do feio. Que a beleza ad- vém do amor é outra coisa. Por exemplo, quando o “ Ego ” é dissolvido, fica em nós a be- leza interior e, dessa beleza, advém isso que se chama amor. De maneira que, então, o amor, em si mesmo, está mais além dos conceitos que se têm sobre a feiura e sobre a beleza. Não se pode definir, porque, se se define, ele se desfigura. A Pitonisa, então, teria ou não ra- zão? Sim, tem razão: o amor está mais além dos conceitos de feiura e de beleza, ainda que dele advenha a beleza e resulte a beleza. Onde existe o verdadeiro amor, existe a beleza inte- rior; isso é óbvio. Dessa maneira, irmãos, entre a tese e a antí- tese, há sempre uma síntese que coordena e reconcilia os opostos. Vejamos isto: sabemos que existe a grande batalha entre os poderes da luz e os poderes das trevas. No próprio esper- ma sagrado existe uma luta entre os poderes atômicos da luz e os poderes atômicos das tre- vas. Em toda a criação existe essa grande luta; as colunas de Anjos e de Demônios se comba- tem mutuamente, em todos os rincões do 10

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