Revista Maitreya 049

11 Universo. Quando alguém não tem ainda a Pedra Filoso- fal, vê como impossível a reconciliação dos opostos - luz e trevas - dentro de si mesmo. Mas quando logra a Pedra dos Filósofos, a Pe- dra da Serpente, à base de trabalhos conscien- tes e padecimentos voluntários, então, median- te a mesma, logra reconciliar os opostos, e os reconcilia em si mesmo, pois reconhece que tudo na criação tem dupla face. E somente me- diante uma terceira posição, isto é, somente mediante o Tao, no centro do círculo mágico, somente mediante a síntese, podemos reconci- liar os opostos dentro de nós mesmo; isso é óbvio. Assim, pois, faz-se necessário que aprenda- mos a reconciliar os opostos, faz-se necessário que nos libertemos da Lei do Pêndulo e que vivamos melhor dentro da Lei do círculo. Al- guém se liberta da Lei do Pêndulo quando se coloca na Lei do círculo, quando se coloca em Tao, que está no centro do círculo mágico. Porque, então, ao seu redor, tudo passa; por todo ao redor de sua consciência, que é um círculo, que é a consciência global de si mes- mo, vê como passam os distintos aconteci- mentos, com suas duas faces; coisas com suas duas posições, as circunstâncias etc., os triun- fos e as derrotas, o êxito e o fracasso. Tudo tem duas faces, e alguém situado no cen- tro reconcilia os opostos, já não teme o fracas- so econômico, já não seria capaz de “ rebentar as tampas dos miolos ”, porque perdeu sua for- tuna do dia para noite, como têm feito muitos jogadores do Cassino de Monte Carlo; perdem sua fortuna e se suicidam; já não vão sofrer pelas traições de seus amigos, fazem-se invul- neráveis ao prazer e à dor. Vejam o extraordinário, o maravilhoso! Porém se nós não aprendemos a viver dentro do cír- culo, se não nos radicamos exatamente no Tao – ponto central do círculo mágico - continua- remos como estamos: expostos à Lei trágica e cambiante do Pêndulo, que é completamente mecanicista, cem por cento, dolorosa. Assim, meus queridos amigos, devemos aprender a viver inteligentemente, consciente- mente; isso é óbvio. Desgraçadamente, toda a humanidade está submetida à Lei do Pêndulo. Olhamos como a mente passa de um lado para o outro. Isso é fatal! Eu tenho visto, pois, que não há nin- guém, na realidade, que não esteja submetido a essa questão das objeções. Chega alguém e nos diz alguma coisa, alguma frase. O que pri- meiro nos ocorre? Objetar, por tal ou qual ob- jeção! É a Lei do Pêndulo: “ dize-me que eu te direi ”, “ derruba-me e eu te derrubo depois ”. Conclusão: dor. Vale mais não fazê-lo, isso é terrível! Por que temos que ficar objetando, irmãos? Vem-me, neste momento, à mente um caso interessante. Faz tempo, muitos anos, en- contrando-me no mundo astral - em Hod , no Sephirot Hod , internado nesse Sephirot - tive de invocar um Deiduso , Anjo ou Elohim - co- mo vocês quiserem chamar -, ou Deva. Aque- le Deiduso disse-me algo e, de imediato, obje- tei e fiquei a reluzir a antítese. De forma muito vulgar, lhes diria que o refutei. Eu esperava que aquele Elohim discutisse comigo também, mas não aconteceu assim. Aquela Seidade me escutou com infinito respeito e profunda vene- ração. Aduzi muitíssimos conceitos e, quando concluí, pensei que ia tomar a palavra para re- bater-me, mas com grande assombro vi que fez este signo, inclinou-se reverente, deu as costas e se foi – deu meia volta e se foi. Deu-me uma lição extraordinária: não objetou nada. Obvia- mente, aquele Elohim havia passado para mais além das objeções. Sim, é indubitável que as objeções pertencem à Lei do Pêndulo. Enquan- to alguém estiver objetando, está submetido a essa lei. Todo mundo tem direito de emitir suas opini- ões, cada um é livre para dizer o que quiser. Nós devemos, simplesmente, escutar aquele que está falando, com respeito. Terminou de falar? Retiramo-nos... Claro, alguns não proce- dem assim, ou não procederão dessa forma. Por orgulho, dirão: “ Eu não vou ceder, eu te- nho que lhe ganhar ”. Eis aí o orgulho excessi- vo, intelectualizado. Se nós não eliminamos de nós mesmos o “ Eu ” do orgulho, é óbvio que tampouco lograremos jamais a liberação final.

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